sábado, 22 de junho de 2013

se nos calarmos agora

se nos calarmos agora,
nunca mais ficaremos quietos.

vagaremos de um lado a outro como almas penadas
para toda a eternidade
carregando a culpa de não sermos ninguém.

é necessário gritar.
é a hora de gritar.

hoje,
amanhã e depois,
sem mais parar.

enquanto nos fechamos em nossas casas
e em nosso medo, - medo de mostrar a cara, por exemplo,
de fazer a verdade se amostrar -;
do outro lado,
segurando um microfone cínico,
fazem de nós escopetas para matar a sua insaciedade,
pequenos ratos entre as patas dos leões.
cospem na cara nossa,
como covardes,
nós.

se nos sentarmos de novo
na frente da televisão,
assassinos se tornarão reis, como têm se tornado.

erga-se do silêncio a voz que deve agora governar

erga-se do silêncio a voz que deve agora governar.
a voz de ontem deve ser ultrapassada, não só aqui, mas no mundo inteiro.
erga-se do silêncio a voz inquietante,
um sofá em tábuas.

de repente, sob a letra que rege a real justiça da natureza,
o grito se tornará uníssono
e alcançaremos:

o ideal da Nação!

o capital, pouco a pouco, dissolve-se

o capital, pouco a pouco, dissolve-se,
se desfaz.

as capitanias começam a juntar as fronteiras, diluindo-se.
logo, a terra torna-se de todos e para todos,
permitindo a todos viver.

quem não crê nessa verdade não é capaz de crer em nada além dos olhos,
nem de ter ideias maduras,
nem sonhos. pois não sonha quem não vê além dos olhos.

as capitanias diluíram-se... quase:
ainda não.
mas, em breve, outra ordem tomará tudo, invadindo as ruas
com gestos e leis de igualdade,

e a pátria nunca mais será a mesma,
e o mundo jamais tornará a ser igual.

para fazer a revolução

para fazer a revolução,
primeiro é necessária a revolta, e assumir o compromisso que a revolta nos traz.
primeiro é necessário dar as mãos com respeito e esperança;
pouco a pouco se mostrará quais mãos apertam
verdadeiras
e quais são frouxas e falsas,
e estas
se afogarão. portanto,

primeiro é necessário pensar na união,
na unção de todos
em corpo e espírito, num único grito,
ninguém na contramão.

(já há contramãos demais com as quais nos esbarramos sempre.)
é necessário entre todos unidade.

para fazer a revolução, é necessária a integridade.
o raciocínio limpo, livre, inteligente.

mas jamais é necessária a vaidade.
a vaidade é um mal.
querer para si afetará a todos, um por vez: a todos, um por um.

é necessária uma fé maior que a razão.

e é necessária também
a morte e a tortura de alguns.

quero deixar isto como um chamado

quero deixar isto como um chamado,
não podemos esquecer:

amanhã o sol nascerá tão árduo quanto amanheceu ontem.
nada se resolverá numa queda-de-braço empolgante.
um momento histórico torna-se histórico
quando modifica a história, não ao nascer.

por isso, cuidado: o momento se apaga.
a insistência do momento em repetir-se é que não se apaga
jamais.

se agora há uma febre

se agora há uma febre,
mas que não se dissipe quando a dor de cabeça chegar.
nem morra pelo simples acabar.

deve haver tbm o momento da meditação
e, então, o momento de atacar.

o ataque constante enfraquece,
perde o sentido;
a não ser que os olhos estejam atentos
em face de um objetivo.

a revolução nunca é pacífica

a revolução nunca é pacífica.
seja interna ou externa, a força que se lhe emprega
é aniquiladora e
mordaz.

a televisão não se compromete com a verdade

atenção:

a televisão não se compromete com a verdade,
mas com o momento,
com a divulgação e a vendagem.
a televisão é um produto de marketing,
é um comércio.

os jornais, quase por completo, não se comprometem com a verdade.
ah! os jornais e a televisão se comprometem ainda com a manipulação.
eles comem o seu cérebro!

a música que toca na maioria das rádios, come o seu cérebro.
não seja um estúpido: reúna-se!

compartilhe ideias e ideais

compartilhe ideias e ideais.
não apenas assuma-os sem apertar a mão de quem os sonha,
sonhando junto.

a gente não salva a pátria gritando "não à corrupção".
são necessários pequenos pontos, de partida
e de chegada,
pontos concretos e diretos
que atinjam, em vez de as nuvens,
toda a estrutura política
e social.

e, para isso acontecer,
é preciso estar 'entre', diretamente.

as almas mais singelas talvez sejam perdoadas

as almas mais singelas talvez sejam perdoadas.
mas quem compreende a revolução
e se cala
jamais o será.

pensadores da revolução, pensem!

pensadores da revolução, pensem!
é hora de pensar!

se nos perdermos em críticas e em discussões demais irrelevantes,
nossa atitude se espreguiçará com sono.
por misericórdia! não podemos dormir. pensadores do mundo, portanto, pensem.
pensem coisas aplicáveis à prática,
coisas com que possamos atuar, coisas que possamos conquistar já.

não pediremos nada para amanhã, mas também não permitiremos que demore mais.
pensem para hoje. pensem para agora.
não,
não há mais tempo
para não pensar.

pensem juntos: reúnam-se!
toda revolução precisa de mentes adiante,
mas não precisamos de mentes o tempo todo dissonantes
nem de mentes vaidosas;
elas ruem a revolução.
queremos ver as nossas vozes cantando juntas,
então, não obscureçam a revolução,
por favor, pensem!

demos as mãos

demos as mãos,
mas não pensem que nossas mãos não serão desenlaçadas.

não pensem que nossas caras não serão esfregadas contra o chão,
contra a lama e a sujeira, contra o lixo.
serão.
mas demos as mãos.

com as mãos juntas, forçaremos barreiras.
eles nos lançarão uns contra os outros, mas,
com as mãos juntas, como já conversamos,
empurraremos as palavras de mal e as atitudes ileais para longe.
não precisaremos nem matar. talvez, morrer.
mas com as mãos juntas
a corrente
jamais irá fender.

vc pode fugir da revolução

vc pode fugir da revolução,
mas não de seu coração;
ele irá persegui-lo e interrogá-lo, até a morte.

a televisão é um objeto de publicidade

repito-o: a televisão é um objeto de publicidade,
não de pensamento.
nesse sentido, ela é um objeto ignorante.

o homem com ela,
é ignorante.

hoje, ela promove a revolução.
mas a televisão é contra a revolução,
ela é alienação.

ela mostra a nossa cara limpa, hoje,
para repercuti-la ensanguentada, senão enlonada,
depois,
incutindo-lhe a culpa e a miséria.

e se não basta este pequeno poema

e se não basta este pequeno poema
para fazer vc entender seu papel...

se não basta este cantar
que eu quis entoar
para fazer vc parar um minuto e extasiar-se com as possibilidades, ao menos,
e o sonho...
se não basta esta fala para fazer vc sentir brotar a canção.
vá para fora de seu lar, então, e converse com todos:
eles estão declamando este mesmo poema.
com alguém vc, certamente, vai se identificar.

o que vc não pode é ficar imune: seja contra ou a favor!

a vida hoje chama, e ela é seus filhos e netos,
e tudo o que virá,
e vc não pode simplesmente não escutar.

não há mais compatibilidade entre o seu sonho e o seu passado

não há mais compatibilidade entre o seu sonho
e o seu passado.
abandone tudo, pois é hora de pisar outros solos,
sentir outros tipos de terra em seus pés,
outros sóis queimando o seu rosto.

o passado deve ser nosso estudo, não nosso ser.
nosso ser deve ser livre para cantar e para entoar.

tomaremos as ruas um dia para, entrelaçados, então festejar.
mas é necessário que, hoje, abandone seu lar.